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e agora, gente? devaneios pós eleição, renovados a cada minuto

Atualizado: 26 de Out de 2018



De domingo para cá, foram dois dias de observação, especulação e uma série de teses sociológicas livres tecidas entre xs mais chegadxs e eu, explorando possibilidades consoladoras daqueles que passaram os últimos meses negando quase que completamente a ascensão do nosso Trump, evitando seu nome e ocupando as ruas em tentativas de mobilização, sensibilização ou simplesmente, para evitar a solidão. As experiências eleitorais trocadas, os relatos do fascismo familiar comuns e os pensamentos atropelados pelo NOVO COM CARA DE VELHO que se anuncia, as constatações de “caralho muita gente não foi votar” e agora, caminhos, estratégias, quem tem esse fôlego?


Catando meus cacos com toda a sociologia que penso que posso produzir livremente para navegar neste planeta em função de uma transformação da qual acredito fazer parte, ando produzindo certezas absolutas descartadas e renovadas diariamente sobre o Brasil. Imagino que pelo menos na bolha, esteja todo mundo na mesma, discutindo como que a extrema direita subiu dessa maneira no mundo inteiro nos últimos anos, enquanto paralelamente nunca se tenha vivido tão intensamente a cultura da desconstrução de padrões normativos comportamento patriarcais e racistas proposta pelo feminismo difundido infinitamente pela internet e para toda a eternidade virtual


Essa crise conjuntural bizarra, do velho mundo agonizante ainda protagonizado por seus representantes brancos, ricos, racistas, muito provavelmente da geração dos meus pais (na casa dos 60, em resposta a um mundo que em pouquíssimo tempo se organizou em muitas novas formas de existir


Fica bem claro que o cenário de crise econômica deflagra comportamentos individualistas afogados na sociedade de consumo, por desespero, ignorância e principalmente medo. No Brasil a herança da escravidão funda nossa sociabilidade em bases violentas de desigualdade: temos uma população majoritariamente negra em situação de subcidadania que é vitima de discurso de ódio desde os nossos primeiros momentos históricos, que só agora estão sendo combatidos, repreendidos e dos quais se exige mudanças. O movimento negro, ocupa e transforma nosso cotidiano, assim como os movimentos feminista e lgbtq, cada dia mais, e a nossa sociedade patriarcal machista e racista reage com MEDO de seus privilégios sejam abalados com a mobilidade social de pobres e um mundo de sÍmbolos e valores desconstruídos e transfomados pela juventude preta, feminista e queer


O pobre que vota no cara flerta com a possibilidade de chegar no lugar do privilégio e reproduz seu discurso meritocrático e neoliberal, sem instrumentos para questionamento, muito menos para entender que o futuro que se aproxima fechará cada vez mais suas portas para qualquer transformação de mobilidade social. Cerca de 30% do eleitorado simplesmente se absteve ou votou nulo e branco diante do caos, por não acreditar no sistema, ou simplesmente não se envolver emocionalmente para depois não ficar frustrado


Faltou coragem, galera! Afinal, aquilo ali é fascismo


Parte da rejeição ao PT emerge da narrativa maniqueísta da mídia que demonizou Lula e combatido por um juDiciário corrupto e congratulou heroicamente figuras fascistóides representantes de um passado político e cultural brasileiro. A infantilização do discurso político se beneficia do atual desastre da política brasileira com argumentos autoritários e vazios, cujo alvo é tocar tanto no medo da escassez quanto no temor SOBRE AS NOVAS FORMAS DE EXISTIR DO FUTURO

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