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discurso de ódio da extrema direita? de onde vem essa caralha?

Atualizado: 26 de Out de 2018



A extrema direita tá saindo do armário e ocupando cargos públicos em vários lugares do mundo. Há aspectos das paixões fascistas na Europa, Estados Unidos e no Brasil: São discursos políticos neoliberais autoritários, destilando ódio às questões relacionadas aos direitos humanos e ao nosso senso de coletivo. Tudo em nome de estabelecimento de uma ordem na base da violência e proteção desesperada de todas as expressões e comportamentos heteronormativos e racistas


De onde vem tudo isso? Entre o desconforto e a bravura, fico observando a galera que vai votar no Bolsomerda, tentando eternamente entender POR QUE DE REPENTE O MUNDO parece estar com tanta saudade do século XX. Para começar, como tanta gente tá achando normal o que esse cara fala sobre populações indígenas, negros, mulheres, homossexuais?


Lá vou eu frita pesquisar, porque não há outro caminho mais produtivo. Como todo esse sentimento emerge daquela figura?


Encontrei alguns caminhos para entender a incitação ao ódio em “Psicologia das Massas” livro de Freud de 1921, obviamente atual. Ele descreve o discurso autoritário como algo que surge da necessidade de um sentimento de coesão em momentos mais caóticos de anomia social, insegurança, desesperança, violação de expectativas ( o país estava avançando e sentimos a porrada da regressão nos indicadores sociais)


É uma situação ideal para uma fragilização do nosso sentimento de pertencimento, de esperança em relação ao futuro e ligação entre o futuro e o passado. Nesses momentos de caos políticos, escândalos de corrupção, assassinatos e crise econômica torna-se tentador reforçar o pertencimento a grupos específicos por recortes (interesses comuns) contra um inimigo comum, o causador do problema todo. Na Alemanha nazista eram os judeus, na Europa contemporânea são o imigrantes, nos EUA é basicamente tudo que eles consideram não americano atualmente. No Brasil tem a ver com os grupos favorecidos pelas ações afirmativas das cotas, as mulheres e homossexuais. Não tenho medo de dizer que espero que #eleNÃO seja nosso líder de extrema direita ano que vem


Outro texto muito maneiro é o “Teoria freudiana e o padrão da propaganda fascista” (clica aqui para baixar) um ensaio de 1949 do filósofo Theodor Adorno, sobre como a ascensão do fascismo responde como uma certa INSTRUMENTALIZAÇÃO DE FRUSTRAÇÕES: A decepção com instituições, somada à situação econômica, às novas liberdades e possibilidades do mundo desconstruído, incitando as pessoas a valorizarem o que ele chama de “pequeno grande homem”, aquele ser que fala o que pensa, o “autêntico”, que fala sem medo de agredir os outros, porque ele não está fazendo mimimi, e sim falando a verdade, com a macheza típica de algum homem conhecido e/ou da sua família que curte esse fantasia tradicionalista fascista de não manutenção da ordem, como se as regras do mundo antigo fossem as responsáveis por uma qualidade de vida que nunca nem existiu (eles só nao querem se dar ao trabalho de se adaptar, e julgam ter de ser respeitados porque são mais velhos)


Em debates, o candidato da extrema direita ao invés de responder às perguntas, ataca quem as fez com frases do tipo “ tudo isso vai se resolver, vou resolver quando atacar e destruir o grupo minoritário” e aqueles que não concordam são considerados irracionais, destruidores da ordem e da harmonia. O discurso fascista tem o tom de retorno à “ordem”, como faz Trump nos EUA, “make America great again”, alimentando fantasias sobre o poder soberano de um pai protetor, amado e temido, para quem se renuncia o arbítrio e a capacidade de pensamento próprio, em quem se confia, uma comunhão de (DES)afetos e não exatamente um programa de governo com explicações sobre o que vai ser feito. É isso que acontece quando bolsoeca quando ele foge dos debates, e delega respostas técnicas à outras pessoas. Ele quer dizer “não preciso responder porque estou no controle e vou escolher os melhores. eu sou a figura que vai transferir o poder” um discurso que pode ser muito cativante quando se está angustiado, com medo e sem dinheiro.


A figura do pai protetor é uma espécie de retorno à experiências infantis arquetípicas, daí o discurso INFANTILIZADOR com o eleitorado, o que torna o debate esvaziado, improdutivo e uma tremenda baixaria. Ao falar da maneira autoritária e rude - que permeia as relações militares no Brasil - o candidato seduz uma parte do eleitorado que se sente representado/debaixo da asa do papai



Todo o resto está de chilique porque o dólar está altíssimo e o mundo está se transformando de maneira irreversível

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